Meu filho ainda não ficou de pé sozinho. Até quando esperar?

Uma das dúvidas que mais chegam até mim é:

“Meu filho tem um ano e ainda não ficou de pé sozinho. O pediatra disse para esperar mais um pouco, mas até quando esperar?”

E a resposta honesta é: depende.

Depende de quais marcos ele já passou, de como está o tônus muscular e se esse atraso é isolado ou se está vindo junto com outras coisas.

O que eu observo durante uma avaliação?

Eu vou te mostrar o que eu olho em uma avaliação.

Os marcos motores têm uma sequência. Não é uma data exata, mas existe uma janela de normalidade.

Quais são os principais marcos motores?

Com três meses, por exemplo, o bebê já deveria sustentar a cabeça quando está de bruços.

Com seis meses, sentar com apoio.

Com nove meses, sentar sem apoio e começar a engatinhar ou começar a explorar o chão de alguma forma.

Com 12 meses, ficar de pé com apoio e dar os primeiros passinhos com suporte.

Quando essa sequência trava, o primeiro passo é entender em que ponto ela travou.

Porque um bebê que nunca sustentou bem a cabeça conta uma história diferente de um bebê que engatinhou, andou e depois começou a tropeçar mais.

Quando o atraso motor merece uma investigação mais aprofundada?

O que me faz indicar uma investigação mais aprofundada não é apenas o atraso no marco motor.

É quando esse atraso vem junto com:

  • tônus muscular alterado;
  • assimetria dos movimentos;
  • perda de alguma habilidade que a criança já tinha adquirido;
  • ou quando está presente em mais de uma área do corpo ao mesmo tempo.

Por que a avaliação precoce é tão importante?

O atraso motor isolado muitas vezes tem uma causa tratável.

Mas ele também pode ser o primeiro sinal de uma condição neurológica que, quanto antes identificada, melhores tendem a ser os resultados.

Por isso, o princípio que eu sigo é:

Esperar tem prazo.

Quando esse prazo passa sem uma avaliação, a janela da intervenção precoce vai junto.

Ladima: acompanhando cada fase do desenvolvimento infantil

Cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento, e acompanhar essas descobertas faz parte da jornada da família. Enquanto o bebê aprende a sentar, engatinhar, ficar de pé e dar os primeiros passos, oferecer um ambiente seguro e confortável também contribui para que ele explore o mundo com liberdade.

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Conheça a Dra. Mariana Mazzuia: Neurocirurgiã Pediátrica

Dra. Mariana Mazzuia é médica neurocirurgiã pediátrica, esposa e mãe, com registro profissional CRM 11582/MS e RQE 6876. Atualmente, é doutoranda pela Faculdade de Medicina da USP (FM-USP), unindo experiência clínica e pesquisa acadêmica ao cuidado com as crianças.

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