Pele do bebê: o que usar (e evitar) nos primeiros meses

A pele do seu bebê precisa de cuidados especiais e muita atenção

Desde que me tornei dermatologista, percebi como o cuidado com a pele dos bebês ainda é cercado de inseguranças, palpites e, muitas vezes, desinformação. E eu entendo completamente. Ser mãe (ou pai!) é viver uma montanha-russa de emoções, dúvidas e aprendizados diários.

Mas esse assunto se tornou ainda mais pessoal quando me tornei mãe do Pietro. Hoje, com quase dois aninhos, ele me ensinou (e ainda ensina) muito mais do que qualquer livro de dermatologia. Foi por ele que comecei a estudar com ainda mais profundidade sobre a pele dos pequenos. Porque não basta ser médica, a gente quer o melhor do mundo para os nossos filhos, não é?

A pele do bebê é um universo à parte

O que pouca gente fala é que a pele do bebê não é apenas “macia” ou “cheirosa”. Ela é delicada, sensível e ainda está em formação. A epiderme, camada mais externa da pele, é cerca de 20 a 30% mais fina que a de um adulto, o que significa que ela perde mais água, é mais suscetível a irritações e menos resistente a agressões externas.

Esse cuidado começa já nos primeiros dias de vida, com decisões simples como: Quando dar o primeiro banho? Qual sabonete usar? Vale a pena mesmo passar hidratante? E por mais que a vitrine da farmácia esteja cheia de produtos com embalagens fofas e promessas milagrosas, a verdade é que menos é mais.

Quando dar o primeiro banho?!

O primeiro banho do bebê é um momento muito aguardado, mas o ideal é esperar 24-48 hrs após o nascimento.

Isso porque o vérnix caseoso apresenta um papel importante em vários sentidos na pele do recém-nascido, sendo considerado uma barreira cutânea de proteção.

Dentre suas muitas funções podemos citar:

  • Redução de perda de água
  • Proteção contra irritantes externos
  • Ação antibacteriana
  • Formação de uma microbiota saudável da pele

No fim das contas, o que isso significa?! Menor incidência de dermatite irritativa, melhor hidratação e redução de dermatite atópica na infância.

Sabonetes, perfumes e a falsa ideia de “pele limpa”

Um dos erros mais comuns que vejo no consultório é o uso exagerado de sabonetes ou produtos com fragrâncias muito fortes. Sabonete não é vilão, mas também não precisa ser protagonista.

O ideal é optar por versões syndet (sem sabão) e que têm o pH próximo ao fisiológico da pele (entre 5,0 e 6,0). Também deve-se optar por sabonetes sem corantes, sem álcool, sem fragrância, sem conservantes e sem sulfatos agressivos, e, se possível, usá-lo apenas uma vez ao dia.

Nos outros banhos, especialmente em dias quentes, quando o bebê sua mais: a água morna já é suficiente para refrescar e limpar delicadamente.

Perfumes, colônias e talcos? Melhor evitar. A pele do bebê não precisa de “cheirinho de bebê”, ela já tem o cheirinho natural mais delicioso do mundo. Além disso, esses produtos podem causar irritações, alergias e até interferir na respiração, dependendo da sensibilidade da criança.

Hidratar? Deve!

Uma dúvida que escuto bastante:

“Pode passar hidratante na pele do bebê?”

A resposta é: sim, na maioria das vezes a hidratação é bem-vinda. Nem toda pele precisa ser hidratada diariamente, mas em casos de ressecamento, pele irritada, histórico familiar de atopia, clima mais seco ou frio, o uso de um hidratante específico para bebês pode ser muito benéfico.

Prefira fórmulas simples, sem perfume, sem corante, sem álcool, com ativos como glicerina, ceramidas ou pantenol. Aplique sempre com as mãos limpas, em movimentos suaves, e de preferência, após o banho, quando a pele ainda está levemente úmida e absorve melhor os ativos.

Crosta láctea, brotoejas e outras “coisinhas normais”

Crosta láctea

Também chamada de dermatite seborreica do bebê, é algo que assusta muitos pais. Aquelas casquinhas no couro cabeludo, sobrancelha e orelhas costumam aparecer nos primeiros meses e são absolutamente normais e autolimitadas.

Ocorrem por estímulo hormonal intrauterino, favorecendo o aumento da produção de sebo, imaturidade da barreira cutânea e fatores genéticos. Na maioria das vezes, só precisam de cuidados simples:

  • Aplicação de óleo vegetal antes do banho
  • Escovinha com cerdas macias
  • Shampoo e hidratante específico, se necessário, prescrito pelo pediatra ou dermatologista

Brotoejas (miliária)

São frequentes, especialmente no verão. Surgem por imaturidade dos ductos das glândulas sudoríparas, calor e suor. Muito comum ocorrer devido ao excesso de roupas quentes ou sintéticas e uso de hidratantes oclusivos.

O melhor remédio:

Dermatite de fralda

Ocorre principalmente por contato prolongado com umidade, calor, fricção e irritantes como urina e fezes.

Medidas eficazes:

  • Trocar a fralda com frequência
  • Higienizar com água morna e algodão
  • Secar sem esfregar
  • Evitar lenços umedecidos com álcool
  • Usar pomadas de barreira com óxido de zinco ou pasta d’água

Uma complicação da dermatite de fralda é a candidíase, causada pelo fungo Candida albicans. Nesse caso, a pele fica mais irritada, com lesões satélites ao redor da lesão principal e pode ser muito incômoda para o bebê.

Além das medidas acima, pode ser necessário usar pomadas contendo nistatina e óxido de zinco a cada troca de fralda.

Pomadas de barreira: nem sempre, mas com atenção

Pomadas de barreira com óxido de zinco, por exemplo, podem ser úteis como proteção em períodos específicos, especialmente quando o bebê está com episódios mais intensos de cocô ou muito tempo com fralda (como à noite).

Não precisam ser aplicadas em todas as trocas ou todos os dias.

pomadas com medicamentos, como a combinação de nistatina com óxido de zinco, devem ser usadas com cuidado e sob orientação médica, indicadas para infecção fúngica, assaduras persistentes e vermelhidão intensa.

Regra de ouro: Prevenção com higiene e ventilação, tratamento com orientação.

Banho bom é banho simples

Um banho por dia é mais do que suficiente para manter a higiene do bebê. Se o dia estiver muito quente, use apenas água. Evite esfregar a pele ou usar buchas: o toque das mãos já é suficiente.

A água deve estar morna (36-37ºC), e o banho deve ser curto (5-10 min). O foco é conexão, não limpeza intensa.

Toque final: mais cuidado, menos perfeição

Cuidar da pele do bebê não precisa ser uma missão impossível, nem motivo de culpa. Vai muito mais de presença e informação do que de perfeição.

A pele dos pequenos fala com a gente. Ela mostra quando algo está em desequilíbrio e responde muito bem aos gestos de cuidado e carinho.

Se você é mãe ou pai de primeira viagem (ou de muitos), respira fundo. Você não precisa acertar sempre. Mas pode fazer escolhas conscientes, respeitando o tempo, sensibilidade e jeitinho único do seu bebê.

E se precisar de ajuda, é só entrar em contato: aqui.

🩷 Esse artigo foi escrito por: Dra. Patrícia Jacob

Conheça a Dra. Patrícia Jacob: Médica Dermatologista

Dra. Patrícia Jacob é médica dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Na sua clínica, oferece atendimento personalizado e completo, cuidando da saúde da pele, cabelos e unhas, além de tratamentos que valorizam a beleza natural e elevam a autoestima.

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